14 junho 2005

Muito breves considerações sobre a morte:

A morte comove-me. Não lhe fico alheio.
Pensar na minha, assusta-me (e depois, que seria feito dos sites "ofirianos", "santinveste" e deste "blog" ??)
Voltando à dos outros, há vidas cuja desaparição me causa sentimentos diversos.
Podendo não ter comparação, a morte de um rio, contaminado por descargas poluentes, mexe comigo. De igual modo, de um cão, também abandonado, de outro qualquer animal selvagem vestido de boa pele, apenas para o despir, de um insecto por causar asco, e de muitas outras mortes desnecessárias.
À morte de Bush, também não ficaria indiferente. Esvaziaria o frigorífico de tudo que fossem bojecas, shampõs, brancos ou tintos, verdes, maduros, e, até, qualquer sumo que lá estivesse. Apenas para afogar a alegria.
Vem isto a propósito da morte de Álvaro Barreirinhas Cunhal.
Sem dúvida que marcou a segunda metade do sec XX, e, apesar de não comungar dos seus ideais, foi dos únicos que se manteve fiel às suas convicções.
Mesmo após o desabar do "muro de berlim", a implosão da URSS, continuou, fiel até à morte, a defender aquilo que o fez viver 91 anos.
Pensador, escritor, pintor, desenhista, completo... Quem resitiria a anos de prisão, no isolamento, sem nunca denunciar ninguém? Até a sua fuga, de Peniche, foi heróica.
Os políticos de hoje, deveriam meditar no exemplo. Sem necessitar de o seguir.
Cofesso-vos que ao ver as diversas reportagens sobre a sua vida, as lágrimas me escorreram pela face.
Afinal sou um "fraco", e "qualquer" coisa me comove.