23 janeiro 2008

Esquecimento

Somos os maiores a negociar!!!
E quando dá-mos por ela...
A virgem surge do nada
E todos
Homens e mulheres pôem-se a chorar
E a cantar...
Em tempos quase ouvi uma história
Incompleta
Que todos os homens de barba dura que se encontravam na taverna da ponte
A petiscar uns pedacitos de presunto entretido com o verde tinto da região
Afirmavam com a oscilação do pescoço
E reafirmavam com o estalar da lingua pontiaguda no céu da boca
A veracidade da transação
O jeito do negócio
A Lua estava redonda
Quando numa aldeia perdida do Marão
Um carro francês " boca de sapo "
Parou suavemente em frente à igreja do Deus
Que castigava as pessoas que não tinham o gosto do trabalho e não sentiam o gosto quente do mata bicho.
Sairam três pessoas aperaltadas , bem dispostas e decididas a fazer o negócio da das suas vidas.
Duas compravam e uma vendia.
O vendedor com um olhar triste e sonolento apontava para o imóvel que tinha uma varanda onde quatro reis de portugal vigiavam os barcos parados na corrente amiga do jovem tâmega, e dizia a tremer de emoção:
Vendo. Mas só vendo a vocemessês. A minha casa. A casa dos meus pais. A casa onde nasci... neste caos. Não, não posso permitir tanta degradação, tanta ruina....tanto abandono...
...Não posso continuar esta história porque de repente e num movimento de circulação forçada a ASAE entrou na taverna da ponte e prendeu com laços vermelhos e amarelos
as palavras que esvoaçavam no pouco ar que existia no espaço perdido das muralhas sem canhões.