19 outubro 2004

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Ontem senti-me mal.

Era uma dor que me arrepanhava desde os intersticios do abdomen, aos foliculos da dita cuja.
Não tem nada a ver com o que possam pensar.
Nem foi o BENFICA (que não cheguei a ver), tão pouco tinha bebido em demasia.
Foi apenas um episódio furtuito de uma dor fodida, que me pôs a trepar paredes.

O hospital estava perto, e amigos que me acompanhavam (obrigado VALENTE e LURDES), fizeram o favor de me encostar aos médicos, enfermeiros, tecnicos de RX, endoscopia, e outras merdas.
A causa ficou-se pelas hipóteses, desde pedregulho no renáculo, até culicose no mesmo.

Desta escapei, a cadeira do CHEFE continua ocupada, e nos próximos vinte anos não cederá o lugar.

Mas, como passei o dia de hoje refugiado das maçadas do trabalho, aproveitei para espreitar algumas papeladas que me acompanham desde há longa data.

E, assim, vou maçar-vos com um escrito, já bolorento, que estava enraizado numa caixa de papel de fotocópias, mas cujo conteúdo nada tinha a vêr com a fábrica de papel, mas com porras que tenho a mania de guardar.

Trata-se de um diálogo entre mim e não sei mais quem:

"
- Este frio faz-me sede!
- Talvez seja das peúgas rotas!
- Não sei. Ainda há pouco a vizinha me falou do cão.
- Deixa lá! Se não fosses tu, alguém teria que consertá-lo.
- Pois é (pegando no copo). Mas o cigarro está quase no fim. Tenho que ir à farmácia comprar mais arroz.
- Por falar em vender... Já tomaste banho?
- Ainda já.
- Então vê se aprontas o candeeeiro.
- Outra vez?.... Ainda há dez minutos que aparei a relva.
- Mudando de assunto. Porque será que a relva do jardim não cresce?
- Que pergunta... É óbvio que talvez seja por causa do engarrafamento.
- Já reparaste que esta conversa não tem nexo?
- Não. Queres dizer que já não lavas mais a louça?
- Nem pensar. Já acertei o relógio.
- Olha pr'a eles. Nem riem nem acham graça.
- Óptimo. Resultou.
- Então voltemos à enfermaria.
- Não!!! Por favor! Não quero regressar ao Café Ofir.
- Mas o médico diz que só assim voltas a ter sede.
- Pronto.... Está bem.... Sr Silva, mais uma caneta fresca, por favor
"
Quero dizer-vos, que qualquer semelhança com conversas antigas, são pura coincidência.