21 outubro 2007

Vencer?

Finalmente consegui vencer a vontade de vencer, seja no que for, a todo o custo.
Hoje dou-me por feliz em viver o dia normal de trabalho e de chegar vivo e sem mazelas ao doce lar.
Parece mentira mas é verdade ou mentira?
Um banho quente de sais minerais, uma toalha turca e uns chinelos feitos à medida e, a seguir, um jantar de arroba.Para terminar um café, um digestivo e um charuto cubano...que faz pensar no dia que há-de, ou não, chegar.
Ainda nuns destes dias fui desafiado, por um amigo, para um triatlo.
Timidamente, mas cordial, disse que não.
Tinha que visitar uma tia doente e dar de comer aos pombos que se perdiam nos ares turvos da refinaria de Leça de Palmeira.
Mentia com todos os dentes que tinha.
Sabia perfeitamente que o jovem em causa não tinha vida para o meu traquejo de longos anos.
Mais, sabia que toda a gente me podia derrotar.
Mais ainda, sabia que toda a gente podia, um dia vir a perder
A máscara da glória e a honra traduzida nuns miseros euros
Pronto, a verdade seja dita, não o queria deixar com as calças na mão.
Mas o jovem insistiu
E eu, que nunca fui de fugir,aceitei o desafio como se fosse a única coisa possivel de acontecer numa noite esquisita
De um crescer de luar
Que crescia, crescia sem parar
Num arfar de conquista
Num espirito de guerreiro
Iniciei a tripla conquista
Fui o mais rápido na volta ao bilhar grande
o que comeu a maior sande
o que não matou a sede do adversário
Mas perdi no dar
Perdi no impedir o jovem de sonhar
E, sem glória
Fugi amargurado para o convento dos abades
Que ficava numa aldeia de Chaves
Que coitada de saudade
Chorava porque não tinha idade
Para desaparecer
Numa manhã de nevoeiro