05 dezembro 2009

Mais um escrito que não vale nada

Já implorei, por amigos, quando estava no abismo.
Todos apareceram em conjunto.
De todos precisei
A nenhum implorei
Fui amigo
De peito
No fundo
Não dos rios e dos poços que conheço
Que desconheço
Mas da voz que de vez em quando ouço
Na sala de estudo
Da viola ouvida na RTP2
De quem quer
Saber
De quem quer
estar

Me ajudei
A fugir e a ficar longe
Dos tiroteios
Da vida.
Do leão que nunca vi
E nunca temi
Do fino de um violino
De uma mão consciente
Que descia e subia
Num ritmo consciente
Que me fazia chorar
E rir!
De felicidade!
Sem idade
Na velha cidade
Vida tão só
Mas tão bem tratada
O leite quente da manhã
A torrada num acordeão
E a voz?
De onde vem?
Fala-me de amor ... vou-te contar a história dos pinguins...
Fala-me do iceberg que vai derreter...vai explodir...

Conheço o caso mas não conheço o corpo, não conheço a voz maravilhosa que penetra no violino e me faz chorar sem saber porquê de ver as minhas mãos vermelhas, de muito se encontrarem.

A culpa é do gelo que está derreter e de uma viola…violino…violoncelo…por aí fora…do leão e da cigana que no seu olhar redondo de pálpebras cinzentas de feitiço lunar me fazem chorar,amar, e sonhar com as folhas castanhas deitadas, esquecidas, na água do lago esverdeado da arca de água.