10 novembro 2007

Lembrança

Ia eu sossegado a falar com os anjinhos
Quando, vindo do nada, um diabinho
Começou a trautear a musica
Que eu, de pequeno, venho cantando
De vez em quando
Quando o olhar se perde no sol
Que adormece
Na linha do horizonte do amanhã

" Boiam leves levemente
Meus pensamentos de mágoa,
Como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.

Boiam como folhas mortas
à tona de águas paradas
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas Abandonadas

Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se paira, se flui;
Não sei se existe ou se dói"


Poema de Fernando Pessoa