29 junho 2008

Cobarde

Não conssegui mergulhar nas águas frias do Marreco
Tentei
Mas os celcius impedirem-me de o fazer
Eram milhares,é certo...
Quando de repente passa por mim um jovem de 40 anos e mergulha sem pudor nas águas onde eu, apenas, refrescava os pés com as unhas que desafiavam o sol imperador.

Quando passou por mim, na ida para o quebra vento, perguntou:

- Queres comer umas sardinhas no Serrão?

Eu nada disse
Fiquei a pensar na sua razão

Fiquei sem saber o gozo que dá a provacação


Não reagi
Fechei-me em copas
E entre os dedos da minha mão esquerda
Segurei a rainha de espadas
Que sendo lançada
Cortou o vento e se perdeu na areia limpa e cansada

Tomei um duche frio nos balneários
E sentei-me nas cadeiras destinadas aos cansados

E senti o sabor amargo do sal
Sem ter razão para tal
Porque, cobarde
Não mergulhei no mal

Quero dizer no mar...

E fiquei a pensar nas sardinhas
Que coitadas, de pesar
Ficavam a olhar para mim
Disfarçando, é certo, ...
Dizendo:
- Nós não temos culpa, o Sr. é que ...

Perdi a paciência e fui passear pela montanha coberta não por gelo
Mas por senhoras, que são boas
Porque são senhoras de Ermesinde
Dão a sopa que querem
E não dão mais porque o caldo esgota

Sou um cobarde!

Não por comer as boazonas
Mas por ter medo de mergulhar nas águas
Cheias de celcius inimigos!