27 abril 2005

Vou continuando a divulgar poesia que escrevi nos meus tempos de jovenzinho.
É mais uma poema de 1973. Começo a perceber que guerra, armas, espingardas, já me preocupavam, nesses tempos.

Transcrição fiel do manuscrito da época.

Dedico-o aqueles que têm a pachorra de, diariamente, mesmo confiantes que nada acontece no site SANTINVESTE, espreitam este bocadinho, onde, no meu silêncio, deixo escorrer alguma coisa de mim.



VEM
(quando o vento for suficiente para levantar dois corpos, leiam este poema)

Vem.
Anda comigo gritar a poesia
e voar entre as nuvens com ajuda do vento.
Vamos cavalgar os espectros de calma fria
e passear o pensamento.
Vem
Olhar os violinos, o silêncio, as espingardas,
e beijar a lua com lábios de mel.
Vamos abraçar o sol e as crianças de mãos dadas
e provar a morte, a guerra, o fel.
Vem.
E traz um saco com o teu sorriso
para distribuir às mãos cheias pelos soldados.
Vamos restituir às entranhas do juízo
a alma entornada dos poetas desolados.
Vem.
Aproveita a boleia das trevas escondidas
e vem ter comigo à hora do sonho.
Vem com o teu corpo e as raízes perdidas
abraçar-te a mim num prazer medonho.

1973