VEM
(quando o vento for suficiente para levantar dois corpos, leiam este poema)
Vem.
Anda comigo gritar a poesia
e voar entre as nuvens com ajuda do vento.
Vamos cavalgar os espectros de calma fria
e passear o pensamento.
Vem
Olhar os violinos, o silêncio, as espingardas,
e beijar a lua com lábios de mel.
Vamos abraçar o sol e as crianças de mãos dadas
e provar a morte, a guerra, o fel.
Vem.
E traz um saco com o teu sorriso
para distribuir às mãos cheias pelos soldados.
Vamos restituir às entranhas do juízo
a alma entornada dos poetas desolados.
Vem.
Aproveita a boleia das trevas escondidas
e vem ter comigo à hora do sonho.
Vem com o teu corpo e as raízes perdidas
abraçar-te a mim num prazer medonho.

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