19 julho 2008

Apenas me lembro das penas da gaivota
Que descuidada lançou uma pedrada
Na cabeça de um chefe adormecido
Numa praia de marrocos
Quente de areia e quente de água salgada
Que se perdia pela encosta do Ribatejo
Para os lados do Algarve.

Apenas me lembro das penas a arder
Numa chama lenta e continua
Parecendo um pôr de sol igual a muitos outros
E vi um um cadáver
Os bombeiros lá do sitio
Que não tinham nada que fazer
A lançarem baforadas
Jactos de água encanada.

Entretanto vi alguém a dizer:
Não façam nada
Esta luta é a minha
Quem não a tinar
É um grande filho da puta.

E gesticulava e gritava
Numa voz de tenor
Passando para uma de baritono
Quase sem sonhar no sono

E gritava e continuava a gritar:
Quem manda sou!
Eu perdoei
Porque me lembrei
De tudo aquilo que eu sei!