31 maio 2007

Tripas do Porto
Dadas por uma Senhora
Da cidade esquecida do Porto
perdida no cinzento
na pedra granitica
no cloro da água dos smas
que alimentam as conchitas
e os históricos asdrubeis
verdadeiros consquistadores
dos mares nunca? conquistados
Tripas aquecidas
Servidas
Num rectângulo de madeira
Boas tripas
Servidas após vitória no pano verde
Com um canivete de aço compreensivo
Suspenso
Por um fio
na verdade escondida
na velha estante de madeira
esventrada pelo bicho
apontar para o vinha da encosta do Douro
que se perde no solo do xisto
e desagua nas pernas de uma moçoila
A respirar
A saborear
A Beijar
A cantiga
Que alguém deve cantar

26 maio 2007

Gostei de ver dois jovens a entrarem confiantes
Numa confeitaria com luz amena
Entretida no conto do benfica
No vermelho da vida
No voar da águia
Que distraída poisou no braço Guida
Gostei de ver o sorriso de um jovem
Confiante na justiça portuguesa
Na comunidade presente
No olhar distraido
De um relâmpago tardio
De um bacalhau digerido
Gostei de ver um levantar apressado
Um beijo fugás
Um passeio de abraço
No jardim de trás
Gostei de ouvir uma voz jovem
No meio da jogatina
Estes gajos ainda estão vivos?
Vou falar com a Josefina.

22 maio 2007


12 maio 2007

Ao longe um murmurio
Um gemido
Tresloucado de uma harmónica
... a resposta está no vento.......
......... e o vento nunca mais chega..........
E uns gajos
E umas gajas
Entretidos a beber umas águas frescas com gás
E claro está com pneuverdejante
Entrelaçadas de amarelos vindos do nada
Boas
Não as gajas
Nem os gajos
Mas águas
Vindo do nada
O centro de um alvo
Atingido por uma seta plástica
Amarela
Atinada
Atirada.

07 maio 2007

Trettas

Cantigas perdidas no sono de mulher
São tretas sentidas
Escolhidas
Num terço reunido à noite
Na aldeia esquecida
Dos lobos cinzentos
Sem medo
Rezam e perdoam
Os que fumam
E não fumam
E esquecem
O frio
O quente
Sentido num lago preto com vida
Em casa granitica pequena
Onde os bichos
Displecentes
Conscientes
Respiram
Vou ser sincero
Como sempre fui
Perdi
Desta vez ganhei seis partidas ao bilhar
Perdi a última
Desiludido com vida
Percorri as ruelas de S. Mamede Infesta
E encontrei o riso da vitória do adversário das Àguas Santas
A ecoar entre o sino e a esquadra azul
... Já fostes campeão de alguma coisa ...
....Faz-te à vida malandro ...
Aturdido e sem peceber patavina
Encostei-me numa esquina
Bebi uma Sagres
Vendida na Sra. da pequena fortuna
E jurei para mim mesmo
Isto não vai ficar assim!
Ai de mim se não não dou cabo de uma fartura
Ganha na roleta da vida.
E roda girou
Girou Girou Girou
E o espargo manchou a camisa
Que o padre tinha vestido
Para celebrar a missa do amanhã.
Coitado .. Coitado ...
Ele não tem culpa ...
Ele um santo ... Nunca fez mal a ninguém
São os mal dizeres que perpetuam o não querer
Nunca sentiram o frio e a falta de um cachecol
E o sorriso de uma mulher
PALAVRAS..............
Já não me lembro do inicio
Já não lembro do fim

04 maio 2007

Desafiei o campeão das Àguas Santas
Que reticente aceitou o desafio
Tinha dormido mal
Acordado cedo
Coitado
Assombrado com o medo
Por causa de um dedo
Que, desobediente e erecto, apontava para o lado negro da vida
Dormir cedo e cedo erguer
Faz saúde e faz crescer
Escusando-me a comentários
Lá o consegui convencer
Sim
Não é fácil
Não tenho empresário
Por isso preciso de ter lábia
O jogo ficou marcado para as 18 H
Como sempre, em qualquer encontro, cheguei mais cedo cinco minutos
Analiso a superficie comercial
Dou de caras com caras que não conheço
E combato a timidez com ousadia
Boa Tarde!
E as meninas lourinhas
Simpáticas e grandinhas
Timidamente balbuciam
Boa Tarde
O segurança de soslaio firma melhor o galho
Fixe
Estou em casa
Uma cerveja geladinha
E uns tremocinhos
Hoje é dia de romaria
Hoje é dia de pancadaria
Estou mortinho por desancar
Entendem
Dar ao martelo
Sim martelar
Sim dar um um jeito ao cabelo
Raro e doce
Com um piaçaba
Estava eu nestes reparos
Quando entra pela porta grande
De taco na mão
O campeão das Àguas Santas
Que por sinal matou 1000 peregrinos
Que tiveram a desfaçatez de o desafiar
No badalar
Dos sinos
Comi o último tremoço
Bebi o último bocadinho da cerveja geladinha
E em romaria
Em festa cantada
Por orquestra combinada
A tocar e a cantar a música do Gedeão
Iniciámos a partida
Um com um taco vindo directamente da corte do Rei Artur
E eu com um taco emprestado do Sir Marques
Mas como sempre a voz das cavernas do dragão que existe mas ninguém viu
Sentenciou
O objecto não faz o campeão
O campeão é que faz o objecto
Quando dei por ela
Perdão
Quando dei por mim
Estava a perder por quatro Zero
Comecei a sentir um vazio no estomâgo
Não por estar a perder
Mas porque ainda estava em jejum
Sem dar parte fraca e porque o meu destino é ganhar
Quebrei o silêncio da casa
Houve lá
Quem ganhar esta partida, a última, é campeão
De S. Mamede Infesta e Água Santas
Ouvi um estalar de pescoços
Senti uns olhares perdidos
Ouvi uns filha da put...
Ouvi um porque não... não vales nada ... tens que ir para o caixote de lixo... que lata...
Fixe
Continuo em casa
E martelei o meu adversário e os aborigenes das Àguas Santas
Mais palavras para quê?
Sou um ganhador e continuo a ser o campeão de S. Mamede Infesta
Até um dia......

03 maio 2007

8 dias de férias

Acordei por volta das 15 horas
Aturdido aqueço resto da massa que sobrou do dia anterior
Frito um ovo e duas salsichas
Coloco os alimentos confeccionados num prato limpo mas gasto pela vida
E com coragem enfrento-os, na sala de jantar, com a minha amiga gelada super bock
Reconfortado passo-me por água e decido enfrentar a vida dos gajos que estão em férias sem ideias e com vontade de marar
Vou direitinho ao meu amigo Gomes
Aquele que tem o café chamado Didi
Peço um café duplo
Um espiritual para o acompanhar
Um cigarro
Fogo
E em tom de brincadeira um pulmão para o fumo que vou inspirar
Desafio com o olhar a multidão que no espaço luta contra a solidão do dia cinzento e chuvoso
E dum canto levanta-se o melhor jogador de bilhar de São Mamede infesta
Com um sorriso sinistro de contratado para arrear
Vacilei e penso que fiquei um pouco amarelo
Mas reagi e disse para mim mesmo
Porra se qualquer merda te mede medo
Então o melhor é não saires de casa e sufocares nos lençois da tua cama
Coragem... Sê Homem...mas aperta a carcela...
Quando dei por mim estava a ganhar por dois a zero e terminei a terceira partida com uma carambola de 1.ª categoria
Consciente do meu novo estatuto e tendo a meus pés o inimigo a rosnar disse para o Gomes
A dolorosa pago quando tiver dinheiro, não tenha problemas que eu sou bom pagador
Quanto ao bilhar endenda-se com este marmelo
E saio todo emproado para a praceta Serafim Lopes
De copo na mão para celebrar a façanha conseguida
Quando sou engolido pelas cores inebriantes de um arco iris
Que de contente se implantara no olhar
De uma sereia vinda de propósito do mar