27 novembro 2010

Nunca

Ofirianos
Nunca esquecidos
Na dor de costas sempre presente
Latente
Muro presente
Desistente
Nunca!
Ofirianos
Por vezes perdidos
Nos montes de Portugal
Nas praias conhecidas
Olharem para a lupa do mal?
Nunca!
Ofirianos
Nos carros e cenas que foram esquecidas
Nunca!
O pano baixou
Os espectadores aplaudiram
Os artistas foram dormir
A imagem ficou:
Um carro carregado de velho rodopiou 3 vezes no jardim lateral da filipa, e fugiu espavorido, do policia montado no azul e branco, que não sabia o que fazer.
Esquecido?
Nunca!

20 novembro 2010

Não me lembro do teu rosto envelhecido pelos desgostos sempre lembrados. Lembro-me do teu olhar sempre perdido na mesa vazia na mesa sem nada de nada. Lembro-me do teu olhar quando fitava o meu e do sol que aquecia a sala fria da casa enegrecida como se de uma salamandra se trata-se.
Partis-te para parte incerta, que desconheço,e nunca mais pus o olhar no teu corpo frágil,inseguro e velho.

Lembro-me de participar no calcar das uvas cortadas e maduras, retiradas das velhas videiras que adormeciam no resto das figueiras que se perdiam, eternamente,pelo ribeiro zangado que nunca olhava para a sua cidade.

Uma dúzia de casebres de granito extraido do ventre do solo xistoso.

Lembro-me dos pés sujos e vermelhos, cor do sangue, que se perdiam nas serras repletas de espinhos
Duros e frágeis
Que defendiam o seu território a todo o custo
E que me lembravam
Antes morrer que ceder.

Lembro-me de me perder nos braços dos castanheiros à procura de castanhas cinzentas e nunca as encontrar.
De zangado erguer os braços para o céu e perguntar:

- Meu Deus porque não existe castanhas cinzentas nestes castanheiros tão garbosos e musculados?

Lembro-me de nunca obter qualquer resposta por menos digna que fosse.

Mas não me lembro do teu rosto envelhecido.

E a verdade, seja dita, lembro-me do teu olhar que de pobre nada tinha. Ele enchia qualquer mesa que não tinha nada de nada.

Sorrisos

Sorrisos

Já passei por um bom jantar
E fumei alguns cigarros de encantar
Quando dei por mim a ouvir o cantar
Do paladar

Sorrisos

As portas sempre abertas
Choravam de tanto estarem certas
No bater de tantas ofertas

Sorrisos

Já passei por um bom jantar
Saudades do teu olhar
Do teu estar
Do teu falar
Do teu andar
No cimento seco e a estalar

Sorrisos

Encontrados na noite densa
Que nada deixa ver
Porque não te posso ter
Pensa

Sorrisos

Perdido na floresta da feira
Sem eira nem beira
Dei por mim a dormir na ribeira
E acordar ao som de uma jardineira


Sorrisos...