10 agosto 2008

Semidiário de um sábado de Agosto

Acordei pelas oito horas
Aborrecido e de certo modo triste
Passeei pela alegre mansarda
Sem saber o que fazer

Decidi fazer café
O café soltou-se num continuo borbulhar de cafeteira participante
Na festa do sábado descontraído
Onde se ouve o riso da criança que brinca escondida dos UV
De um sol desconhecido

Decidi
Vou visitar um amigo

Inês queres vir?

OK.
Mas tenho que comprar um caderno especial nos Loios

Aceito a condição.

Vou buscar o carro à garagem e espero por ti no largo que conheces bem
Ouvis-te?

Não ouço resposta pronta nem espero por ela e rapidamente saio de casa.
Segundos passaram apanhei a miúda no local combinado e sem grande seca, a verdade seja dita, apareceu um pouco despenteada e com um sorriso nos olhos e no rosto, que eu já não via há bastante tempo.

Sou um distraído!

Meti a primeira satisfeito e sem necessidade de ligar o rádio
Senti-me feliz de ter ao meu lado
A filha que sempre quis ter
E arranquei sem medos a temer.

......................

Não venhas tarde
Espero por ti na grande cidade
A fumar um charuto de Havana
Sentado na esplanada
Onde se sente a melodia do persistir
Dos acordes do sentir
Onde se sente o desejo de partir

Não venhas tarde

06 agosto 2008

Nasceu

Não preciso falar das acções que já fiz!
O certo é que nada fiz ...
Mas chamar-me de filha da policia e dizer que o filho era meu
Isso nunca.
E porquê?
Eu nunca fugi às minhas responsibilidades.
Sim não estou a falar de fugir, mas de ficar e de enfrentar os actos e as suas consequências.
Atenção que não quero ferir susceptibilidade de ninguém, mas o que é, e o que não é, não é.
Lembro-me de ...com ferros ferros e faz-te ao mar e não voltes.
Mas porra está-mos no século 21, chuva, pós,particulas, que esvoaçam da terra e se perdem no apetite das nunvens onde se ouve o grito estridente da barriga da Joana.
Joana é filha de um agricultor abastado da Quebrada.
Tem campos que a miopia não consegue abarcar.
Mas tem um coração de pano que se esfarrapa quando ouve a história do jovem V.

Não posso continuar, porque os donos da terra e do do alto milho para ração mandaram - me calar e ameaçaram-me com as fisgas contemporâneas que outrora me fizeram um furo no lábio superior.
Lembrei-me de uma tia brasileira que olhava para o sangue a saltar e nada fazia, porque nada havia a fazer.

Palavras para quê?

Vá-mos falar com o Tê?

03 agosto 2008

valente

Pessoas que não conheço
Rodam à volta dos pinheiros mansos
Que não dei a ninguém.
Adormecem na música
Dos adormecidos