24 fevereiro 2008

Perdão

Olhei de repente para o copo vazio
De um vinho comprado embalado em cartão
Por uma mão gélida do homem preocupado, mas sem emoção
Fria pela ventura do nitrogénio
Engarrafado na botija cheia de azia
Perdida num enterro sentido
E para todo o fim
Porque pela força de Deus tem que ser assim

Pela velha decrépita que lançava pragas
E dizia que sabia o que havia de vir
Da mão despreocupada que se despreendia num aceno
Às focas abocanhadas pelo urso branco
Um animal incompreendido
Pelos diversos cantos do mundo
Que eventualmente vai explodir
Em pedacinhos de gases
Incompreendidos e não cheirados por ninguém

Lambia os beiços
Sugava as garras
Nas deambulações pelas suas terras
Pretas dos derrames sentidos pelos seixos
Confinados nas praias
Não desertas

Estava, eu e a Carolina, uma gaja muita feia e muito trenga, com uns dentes muito feios, nos preparos sexuais, quando abrem a porta da minha casa que quase sempre está fechada e sobem as escadas que nunca acabam, os alegres e despreocupados homens de fato branco. É evidente que, num sábado pela noitinha escura de um fevereiro que mata pessoas e trás a esta vida menos gritos ao bater de uma palmada no rabo, entrarem-me pela casa adentro esses gajos vestido de branco, acompanhados por uma madrinha que afirmava que era a fada dos desejos escondidos, fechados a 7 mil chaves e travados por n TRAVES levantado ao infinito ..., preocupou-me.

Fiquei, ainda mais preocupado, quando dei por mim a falar sózinho.
Mais fiquei, quando ouvi uma voz, totalmente distorcida, quase imperceptível, num longinquo indefinivel, a voz de um rapaz a dizer que não tem sorte e a lamentar a curta e divertida vida que usufruiu.


Nesse momento um raio surgiu da terra
Que é dos poucos elementos primários que conheço
E um clarão alaranjado descarregou a poucos milimetros do meu corpo
E disse-me:
Tu conheces a podridão
Tu conheces a solidão
Tu conheces a prisão
Porque é que nadas fazes para voar noutra direcção
E eu não respondi, não por medo nem cansaço
Nem tão pouco cobardia
Mas sim pelo desgosto de saber
Que dos livros do fernando
Todos leram
Mas poucos entenderam
E eu sou um deles!

21 fevereiro 2008

Atrapalhado nem Tanto

Acabei de ler o que escrevi.
Sou franco, não gostei!
Existem diversos erros que não vou justificar.
E porquê?
Não se preocupem
Eu falo, quando quero, bem.
Mas escrevo melhor ainda.
Por vezes as letras enganam-se e atrapalham-se, porque quer se queira quer não, existe muita rivalidade entre os simbolos. Agora imaginem, a rivalidade entre pessoas que não entendem nada de nada, excepto da ferrugem da porta enfurrejada da entrada que está sempre fechada...
Mas o que quero rectificar é o seguinte:
O que é bom é para se ver!
Quem vê tem por obrigação de valorizar o que vê!
E quem disser o contrário mente
Com muitos ou pouco dentes
De acordo com a consoante
Ou o ditongo
Atenção que não é de valongo
Mas do vadio que nunca dorme
Porque é um boémio
Um néscio
Um homem da estrada
Que tenta não perder
O fio da meada.

Finalmente, o que pretendo dizer, depois de beber um CLAN, vinte super's e fumar quarenta LM's, todo alucinado, não pretendo matar ninguém, sabemdo eu que tenho grande pontaria.
Pelo contrário, sei que amanhã é um novo dia!
Um dia de grande ressaca, mas também de um grande acreditar naquilo posso fazer e no que os outros, se quizerem, podem e devem fazer.
Ou seja, TODOS SOMOS IMPORTANTES!

Preocupado?

Estou preocupado comigo?
Estou preocupado com os outros?
Amigos
Inimigos
Homens
Mulheres
Flora
Fauna...
Quase tenho a certeza que não!
Mas será a verdade nua e crua
Ou será a verdade camuflada
Verde branco preto
Que me prende num sitio escuro
Me ata um pano preto sob os olhos castanhos
E me diz:
Por muito que faças
Nada vais conseguir
Apenas vais afundar mais
Atirar para um poço sem água
E muito fundo
Quem está doente
E não quer viver?
E ouço a voz soturna de um poeta que já morreu:
- Estou vestido de preto
Não por mim
Não pelos vivos
Nem tão pouco pelos mortos
Mas simplesmente porque gosto.
Disfarçando, começo a contar os poucos botões
Dos meus Bleus Jeans
E tomo consciência que sou uma grande merda!
Fico a saber
Sem dúvida alguma
Que a verdade
Do poeta
Nada mais é que o infinito
Do que náo foi dito.

17 fevereiro 2008

Espantalhos

Admira-me os espantalhos
Cheios de aves negras
De bico amarelo
Olhar fugidio
Impassíveis na postura
Afugentando da costura
As saias que não perduram
Lavadas na água pura
Vindas de um lago conhecido
De onde não havia amigo
E nem tão pouco inimigo
Mas que susssuram

Ó Filha! És muito boa!


Desta vez não me vou perder em delongas
Nem tão pouco olhar para umas pernas longas
Torneadas num automático
De seios enchidos
Acima de uma atmosfera
Perdidos na ética dos palavrões
Perdidos nos ditos cabrões

D'
Ó Filha! És muito boa!

Na Missão que me coube
Derrubei os corações
Que não respondiam às emoções
Pretentidas
Que estavam
Enganados na solidão

Da
Ó Filha! És muito boa!

O melhor é ter
Um caldinho
Quentinho vindo
De um desavindo
Criado por alguém
Caladinho
Mas que diz

Ó Filha! És muito boa!

Deixei de responder
Nem tão pouco vender
Dar
De mão bem banjada
O beijo
Da força
Do espaço da boca
Da meiguice dos lábios

Mas,
Ó Filha! És muito boa!

Os próprios sábios
Discutindo os filmes a preto e branco
Que nunca sentiram
O beijo da vida
O beijo da morte
Nem o beijo da mulher
Destinada ao beijo
Que diz tudo, ou quase tudo...

Gritaram
Ó Filha! És muito boa!

Enfim, no final
Da vida, diferente, que todos vamos viver
Ninguém, em principio, vai contar
O que deveras sente e quer contar

Mas dizem
Ó Filha! És muito boa!

Eu sabendo isso
Porque a idade não perdoa
Nem magoa
Vou ter com a minha Leoa
Que em momento algum não perdoa
A perda do gosto da broa...

E sinto
Ó Filha! És muito boa!

11 fevereiro 2008

Poema do GUI

Encosta-te à mesa
Não digas que não
Não peças um pão
Fala com o coração

Não caias no chão
Não peças perdão
Não roubes o limão
Da casa pobre da Conceição

Vou partir para muito longe
Para a escola que fica no monte
Vou de madrugada
E venho de noite cerrada

Pelo caminho atiro pedras
Em troca recebo castanhas
Vindas do céu divino
Acompanhadas com o som do sino

Lavo o rosto na poça da encosta
Que rega os campos do Costa
Afugento as sombras dos esteios
Que dormem nos seios da vinha

Desperto o cão adormecido
Que de tão aborrecido
Dá um latido
E faz de conta ...

08 fevereiro 2008

Na minha juventude joguei andebol
Não sendo alto nem de corpo musculado
Era forte na presença
Preferindo morrer
Que quebrar
Desistir
E do campo sair
Não vão falar de aspectos técnicos
Que para mim não levam a lado nenhum
Mas um dia fui convidado para jogar andebol a favor do liceu do antónio nobre~- Poeta esquecido e, talvez pouco estudado. Relutante aceitei porque sabia, de antemão, que a equipa era fraca e de pouca reacção.Da equipa adversária não me lembro...Da reacção da assistência não me esqueço. Não me esqueço porque quando derrubei em falta um adversário os espectadores estarrecidos levantaram-se e começaram a insultarem-me:
- Bandido, assassino, lingrinhas ... se te deito as mãos és um frango depenado....
E eu sem compreender nada e sem dizer nada, mas revoltado com tanta injustiça, levantei o dedo no ar...
Bendito o gesto e o dia da revolução.
Repentinamente um gajo de 1,90 m desce do cimo das bancadas
Com ele descem mais de 10 boazonas
E todos tentam encostar-me à grade da baliza
Na tentativa de me crucificarem no seu poste
Sem palavras derrubei o masmarracho
Num golpe simples de mão
Enquanto as boazonas petrificadas
Voaram ao meu encontro
aterrando no chão
Porque não encontraram o meu corpo
E eu disse:
Querem fiado?
Querem sofrer?
Sem pagar?
Mas ninguém respondeu
O masmarracho estava cheio de dores
As boazonas sem saber o que fazer
Começaram a dançar com os poucos jogadores
Que permaneciam no recinto pegajoso
A brincarem com os lábios e as linguas
Entretando despertas pelo clamor
Da violência sem pudor

07 fevereiro 2008

Medo?

Os pensamentos mais nobres são corroidos
Pelo poder de quem pensa que manda
Na vontade de quem não obedece
À ordem do Faça!
Faça se não já sabe!
Vai morrer enquanto eu rio!
Vai morrer cheio de frio
À beira do rio
Sem dar um pio
Sem falar com o seu tio
O Homem
Abandonado
Sózinho
Coitadinho
Pendurado no curto fio
Da idade
Perdida no sininho
De uma capela do minho
Em ruinas
Abafada no encanto da trepadeira
Que afaga e faz ternuras
Com os seus dedos frágeis e meigos
E a protege das agruras do tempo
Pensou e disse em alta voz:
Vai-te foder!
Na minha vida quem manda sou eu!