23 dezembro 2008

Caraças

As pernas perdiam-se
Na areia grossa da praia
Que sorria
Gemia
Nos laços do ouro
Perdido nos meses de verão
Os detectores
Zumbiam
Os cães lambiam as mãos dos donos
Os caçadores
Beijavam as coronhas das espingardas
Novas
Época da caça
Esqueci as boas maneiras
Deixei de pensar no bichinho
E saí confiante da cabana que ainda tenho
No médio alentejo
Matei um elefante
Caraças
Era muito grande
Matei um rato
Caraças
Era muito pequeno

13 dezembro 2008

!

Bebi muitas colas
Demorei
A dizer não gosto
Dos Labios que fecham
O selo do nada...............


Atenção!
Posso comer tudo
Mas tambem....
Não estranhem o ruido

A verdade seja dita...

Quantos são
Venham eles
E dou por mim
A falar para
A miuda
Que nada representa
Estou a falar da cor
Que aceitas
Porque gost.....

O que se passa?

07 dezembro 2008

Ventinho

O vento lento
Qual tartaruga
Brinca com as sobrancelhas do amigo
Da Carmo
Brinca com as palavras doces
Que passam pelos montes
Que brincam na noite
Aonde ninguém nada vê
Aonde ninguém nada sente
Porque é uma cor de ninguém
Porque é uma cor de toda agente
Pelo menos
É o que certas pessoas dizem
É verdade
Será mentira
Não quero é que ninguém
Se fira
Nem se transforme
Numa espiga
Na noite
Fria
e
Escura

Exercicio V

Céu e Inferno
Azuis e vermelhos
Verdes Campos
Aços a fugirem para o infinito
Um sorriso escondido pelo véu
Guardado no rosto de uma mulher
Num sitio qualquer?

Como gostaria
De ser o herói ou mesmo fantasma
E nunca ir para a cama
Com os velhos
Os antigos medos da senhora
Minha ama
Que me aconchegava e protegia do frio
Da cela húmida
Perdida no som que esvoaça
E se perdia no oco da viola
Barata de muitas pernas
Caras ternas
Olhares perdidos
Em aventuras
Caminhadas
Saidas
Nocturnas
Lentas
Amorosas
Travadas
Num curto bagaço

Como gostaria de sentir o afago da mão perdida esquecida no rosto pálido
Ouvir a voz taciturna e lamacenta
Da velha ...
Trocaram-te as voltas
Aguenta
Fuma um Xarro e ouve o fado
Num barco
A deslizar no velho sado

Confusão

As conquistas são ilusões
E as derrotas desilusões
E a vida
Pulsa
Na repulsa
Das tretas vendidas nos lugares do verdão

Confusão!

É noite
É dia
É vida
É a morte em qualquer lugar

É um jantar
De amigos desconhecidos
Entretidos
Numa canção vulgar

Confusão!