27 outubro 2004

CARTA ABERTA AO BÚFALO

Búfalo!

Há 30 anos atrás resolveste pregar-nos um valente susto. Foste parar ao hospital, todo coitadinho, recebeste visitas, prendas, preocupações. Ias levar uma facada no renáculo para extrair um calhau que, dizias, te incomodava.
Pura tanga! Enganaste-nos, e aos médicos.
Saiste na maior, sem devolver as prendas e os mimos.

Desde então, tens continuado a concentrar as atenções de todos, prolongando o bluff:

- Então Búfalo? Estás melhor?
- Búfalo, como vai a pedra? Tens sofrido muito?
- Coitado! Tem passado um mau bocado!
- Está sempre de baixa... É a pedra...

Mas agora, tens um opositor à altura.
Também tenho calhau no rinoquete.
Mas, como "chefe" que se preza, não é uma, nem duas pedras. São várias. É o que se chama a "pedreira" do "chefe".

Enquanto, de ti, ainda ninguém viu sair nenhuma pedra, eu já espichei uma.

Agora sim, irás sofrer na pele ter-nos enganado este tempo todo.
As prendas ser-me-ão oferecidas a mim. As palavras de conforto serão para mim. De igual modo os telefonemas, as cartas, os email. Os peluches. Os beijos e abraços.
Finalmente, irás corroer-te todo com o arrependimento do falso alarme.

É bem feito!

19 outubro 2004

.
Ontem senti-me mal.

Era uma dor que me arrepanhava desde os intersticios do abdomen, aos foliculos da dita cuja.
Não tem nada a ver com o que possam pensar.
Nem foi o BENFICA (que não cheguei a ver), tão pouco tinha bebido em demasia.
Foi apenas um episódio furtuito de uma dor fodida, que me pôs a trepar paredes.

O hospital estava perto, e amigos que me acompanhavam (obrigado VALENTE e LURDES), fizeram o favor de me encostar aos médicos, enfermeiros, tecnicos de RX, endoscopia, e outras merdas.
A causa ficou-se pelas hipóteses, desde pedregulho no renáculo, até culicose no mesmo.

Desta escapei, a cadeira do CHEFE continua ocupada, e nos próximos vinte anos não cederá o lugar.

Mas, como passei o dia de hoje refugiado das maçadas do trabalho, aproveitei para espreitar algumas papeladas que me acompanham desde há longa data.

E, assim, vou maçar-vos com um escrito, já bolorento, que estava enraizado numa caixa de papel de fotocópias, mas cujo conteúdo nada tinha a vêr com a fábrica de papel, mas com porras que tenho a mania de guardar.

Trata-se de um diálogo entre mim e não sei mais quem:

"
- Este frio faz-me sede!
- Talvez seja das peúgas rotas!
- Não sei. Ainda há pouco a vizinha me falou do cão.
- Deixa lá! Se não fosses tu, alguém teria que consertá-lo.
- Pois é (pegando no copo). Mas o cigarro está quase no fim. Tenho que ir à farmácia comprar mais arroz.
- Por falar em vender... Já tomaste banho?
- Ainda já.
- Então vê se aprontas o candeeeiro.
- Outra vez?.... Ainda há dez minutos que aparei a relva.
- Mudando de assunto. Porque será que a relva do jardim não cresce?
- Que pergunta... É óbvio que talvez seja por causa do engarrafamento.
- Já reparaste que esta conversa não tem nexo?
- Não. Queres dizer que já não lavas mais a louça?
- Nem pensar. Já acertei o relógio.
- Olha pr'a eles. Nem riem nem acham graça.
- Óptimo. Resultou.
- Então voltemos à enfermaria.
- Não!!! Por favor! Não quero regressar ao Café Ofir.
- Mas o médico diz que só assim voltas a ter sede.
- Pronto.... Está bem.... Sr Silva, mais uma caneta fresca, por favor
"
Quero dizer-vos, que qualquer semelhança com conversas antigas, são pura coincidência.



01 outubro 2004


Os cozinheiros

Estes foram os cozinheiros da feijoada do passado dia 13