VEM
(quando o vento for suficiente para levantar dois corpos, leiam este poema)
Vem.
Anda comigo gritar a poesia
e voar entre as nuvens com ajuda do vento.
Vamos cavalgar os espectros de calma fria
e passear o pensamento.
Vem
Olhar os violinos, o silêncio, as espingardas,
e beijar a lua com lábios de mel.
Vamos abraçar o sol e as crianças de mãos dadas
e provar a morte, a guerra, o fel.
Vem.
E traz um saco com o teu sorriso
para distribuir às mãos cheias pelos soldados.
Vamos restituir às entranhas do juízo
a alma entornada dos poetas desolados.
Vem.
Aproveita a boleia das trevas escondidas
e vem ter comigo à hora do sonho.
Vem com o teu corpo e as raízes perdidas
abraçar-te a mim num prazer medonho.
QUE SAUDADES
QUE SAUDADES QUE EU JÁ TINHA!
De ver as ondas encavalitadas nos rochedos,
De sentir o spray do mar a massajar-me a cara,
De pôr a areia a verter por entre os dedos
E gozar o sol, de beleza rara.
De furar o horizonte com o olhar,
De beber os sons, abraçando o vento,
Num murmúrio ameno, quase um lamento.
De afagar as asas das gaivotas, no seu voar.
De tomar notas, escrevendo sentimentos,
E apertar um cigarro, disposto a ser fumado,
Vendo um pescador a fazer um lançamento
Acreditando não saír gorado.
De perseguir pistas na areia fina,
De a sentir fugir por entre os pés,
De a vêr molhada, e logo seca,
Ao sabor das marés.
POEMA AINDA MAIS LOUCO DO QUE EU
Maldita inspiração que me abandona
nestes momentos de caneta.
Dou volta aos miolos.
Talvez esteja escondida em algum recanto
mais escuro do encéfalo…
É sempre assim.
Se tenho caneta –
foge-me a inspiração.
Quando estou inspirado –
não tenho caneta.
Quando tenho caneta
E inspiração –
não tenho papel.
Quando tenho papel,
então aproveito para me esconder eu,
porque não gosto de borrar
a poesia que trago nos dedos.
PASSEIO
Num dos meus passeios nocturnos
pelas entranhas da lua,
encontrei poeiras de esperança
pairando no ar.
Uni com amor.
E surgiu o luar.
ASSOCIAÇÃO ANIMAIS DA QUINTA - A REALIDADE