25 julho 2008

Terminando

Fui à janela e vi uma gaja muita boa.

Quase sem querer fiquei entalado com o caroço da azeitona que estava a saborear, não a comer, e surgiu da minha garganta uma " voz " muita esquesita:
- Ó...ó...Ó...ó Filha és muita.........muita boa...

A miúda ouviu e olhou para a provocação, riu-se, fez um gesto " és maluco ", e rindo-se, foi para casa, a pensar, este gajo nunca mais cresce.
Admiro

Quem parte numa viagem incerta
Seja qual for a meta a atinjir

Admiro

Tenho respeito
Por quem segue o sonho
De menino e moço
Porquê é que as pessoas que amam muito morrem depressa?

Não falo das mulheres, dos filhos nem dos ferraris vermelhos que deslizam suavemente na neve. Nem tão pouco de mim que tenho perto de 70 anos.

Mas

Porque será que um ser desprendido de um café e um absinto desfalece?

Consigo me rir de quem tem opiniões severas e de quem julga que tem toda a razão.
Mas fico fodido comigo próprio, simplesmente, porque não sou a Maria e sou o gajo que poderia fazer qualquer coisa, e nada faz.

Bem, não é bem assim.

Ouço o galo da vizinha
E vou-me deitar.
These Are The Days Of Our Lives

Não entendo
Não falo inglês
Mas gosto desta musica
Porquê?
Não sei

Não me perguntem
Nada
Não me enconstem à parede
Na casa da navalha
Na casa da pistola

Eu quero viver
Eu quero beijar o Mundo
O céu
O Mar

Muitas vezes
Pego na sacola
E parto
Apenas
Com o pouco que aprendi na escola:


Chora, ri, come e bebe
Faz figuras tristes
Adormece ao sol
E levanta 100 Kg de aço

E

E nunca faças mal a ninguém

acústica do manel - um jovem que não conheço

Tentei carregar a imagem que me fez voltar a este sitio
Não o consegui, dava sempre um erro que não quiz descodificar

Gostei da criação do Manel
Foi sem querer que ouvi algures
O " foge foge bandido "
Foi quase sem querer que me perdi pelas horas

Adentro

Na dignidade dos passos conhecidos

Sempre desconhecidos

São muitos exames aos ouvidos

Porque ouço bastante mal

Não porque os sons diferentes me façam mal

Aconselho sem malicia:

Não se trata de travestis nem de gajas boas e de mamas enpinadas para o céu azul fechado.

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Não vi nem tentei
Encontrar nada

Porque para mim tudo existe
Sempre existiu
E vai existir

Este pensamento não me larga
Por que de facto me perdi na verdade nua e crua

Me perdi
Nos becos sem saída
Que se tornaram em qualquer coisa

Nas colmeias de 3 metros
Que pesam n toneladas

Nas mulheres sedutoras
Dos Doutores


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20 julho 2008

Sem anexo

Esqueci o propósito da iniciativa do perder e do ganhar
Perder o quê?
Ganhar o quê?
Perder o grande amor aguardado de toda a vida?
Ganhar a espada do Rei Artur?
Eu tenho a certeza que muitas vezes mesmo que não queira tenho que ganhar, seja o que for. Tenho que mostrar aos descedentes e aos amigos mais próximos que não sou nenhuma tripa esquecida num tax(ch)o a arrebentar cheio de água tirada de um qualquer alguidar.
E talvez só por isso ainda continuo vivo
Continuo vivo!
Não por aquilo que ainda penso
Mas por aquilo que ainda faço
Ou seja
Respirar o ar da beira mar ( Angeiras )

19 julho 2008

Apenas me lembro das penas da gaivota
Que descuidada lançou uma pedrada
Na cabeça de um chefe adormecido
Numa praia de marrocos
Quente de areia e quente de água salgada
Que se perdia pela encosta do Ribatejo
Para os lados do Algarve.

Apenas me lembro das penas a arder
Numa chama lenta e continua
Parecendo um pôr de sol igual a muitos outros
E vi um um cadáver
Os bombeiros lá do sitio
Que não tinham nada que fazer
A lançarem baforadas
Jactos de água encanada.

Entretanto vi alguém a dizer:
Não façam nada
Esta luta é a minha
Quem não a tinar
É um grande filho da puta.

E gesticulava e gritava
Numa voz de tenor
Passando para uma de baritono
Quase sem sonhar no sono

E gritava e continuava a gritar:
Quem manda sou!
Eu perdoei
Porque me lembrei
De tudo aquilo que eu sei!

11 julho 2008

Tomates

Com as mãos nos tomates
Criados no meu terreno
Sinto a voz do Deus
Que não chora?
Mas castiga?
Atiça
O lume sincero
De um olhar fugidio
Que não entende
Mas pode matar

Falta de inspiração

Os pedaços do pão que ninguém quis
Perderem-se no pátio dos gritos
Nas sirenes
Que se perdiam nos avisos
Das pessoas amigas
Que acenavam ao longe os perigos
E afastavam os intrusos
Que de qualquer modo se armavam em ursos
Desatentos e sem alento
E adormeciam nos caixotes de lixo
Estacionados em qualquer sitio
Cheios de multas que ninguém pagava
Embalados pelo baixo da guitarra
Que não incomodava
Quando a criança que lançava no ar
Pombinhas
Que toda a gente quer matar
Lançava
Fitinhas de todas as cores
Que se perdiam nos amores
No barulho dos tambores
Nos esgares das dores
No silêncio

Do dia
E da noite
Que adormeceram
E
Escorregaram para o regaço
Da mãe
Terra?