23 novembro 2007

FUTEBOL

Ontem, entrei pela primeira vez (espero que tenha sido a última) no estádio do Dragão, vulgo Antas, ou FCP.
Deu-me na telha, e fui ver o jogo Portugal-Finlandia.
Primeiro, porque tenho amigos oriundos das paragens lapónicas, e seria um gozo ver malhar-lhes fortemente.
Segundo, porque me iria sentir seguro, sem os conflitos habituais das claques, ávidas de confusões, porrada, facadas, etc. Estariamos num só sentido. Apoiar a equipa Nacional.
Terceiro, porque pensava ir assistir a uma boa exibição dos nossos jogadores, a que apelidam de muito jeitosos, muito tecnicistas, de bom domínio da bolinha, enfim, um bom jogo.
Puro engano. Jogo morno, com alguns jogadores armados em bailarinos, numa dança inócua em frente dos antagonistas, e que só deu para perder jogadas. Concretizando, o Quaresma e o Cristiano. Para o tango ou a valsa, seriam optimos, para a bola, deixem vir outros.
Gostei do Bozingua, do Pepe (português?), Miguel Veloso, Fernando Meira.
Só dei conta do Nuno Gomes quando saiu.
O Ricardo foi um susto.
Os restantes, na minha opinião, quedaram-se pela mediania, bem sofrível.
O meu maior desgosto, foi quando, na entrada, me confiscaram os rissóis de carne e bolinhos de bacalhau que levava para esquecer a fome.

Quarto, e para concluir, melhor fora ter ficado em casa, sem chuva, a jantar bem, ver na TV, com repetições, grandes planos, entrevistas, etc.

E os meus rissóis e bolinhos de bacalhau?

19 novembro 2007

Estou fodido

Estou fodido
Porque não fodi a professora
No jardim da escola décimal
Do Sistema internacional
Do bem contra o mal
Estou fodido
Porque não fodi a racional
Perdida no avental
Dos doces e caramelos
Feitos numa loja qualquer
Estou fodido
Não por ter sido fodido
Pela mulher vindo do nada
Estou fodido
Simplesmente por não ter
Fodido ninguém.
Estou fodido!

CAOS

O mar a ser sugado para os abismos.
O sol estonteante a carambolar no firmamento.
Gaivotas esborracham-se nos rochedos, num frenesim suicida.
A areia derrete-se num esgar verde.
O vento, esse eleva esplanadas, como se de folhas de papel se tratassem.
Os pescadores fogem, com olhar esgazeado, recolhendo as canas.
Os peixes saltam, a léguas de distância.
O frio invade as almas, congela o pensamento.
O Marreco agoniza, no seu isolamento.
Chegou o Inverno.

É o caos.

15 novembro 2007

DEFINIÇÂO II

Poeta o que é?

É vontade solitária
de vencer
na complicação precária
do acontecer.

É homem, é vontade.
É milagre com asas de andorinha
debatendo-se com a realidade
da flor que definha.

É um louco adormecido
numa loucura pasmada.
É pensamento perdido
da poesia encontrada.


1973

13 novembro 2007

ESCANDALOSO




Foi hoje publicado o orçamento da Assembleia da República.

Eis alguns números:

Total orçamentado : 109,8 milhoes de euros
Apesar de tudo, os senhores deputados ainda conseguiram diminuir aos gastos do ano corrente, que se cifrarão em 127 milhões.

Vejamos algumas rubricas inscritas:

- Aquisições de bens e serviços ... 21,1 milhões
- Transportes dos senhores deputados ... 3,16 milhões
- Deslocações dos senhores deputados ... 3,46 milhões
- Ajudas de custo dos senhores deputados ... 3,30 milhões
- Remunerações dos senhores deputados ... 13 milhões (média de 56.500 € por cada)
- Publicidade aos senhores deputados ... 476 mil
- Comunicações dos senhores deputados ... 1,05 milhões

Apenas em termos comparativos, a nossa Juventude, mesmo com cursos superiores, aufere uma média de 600 € por mês. Desembolsa os transportes, se não quiser ir a pé para o emprego precário em qualquer lanchonete ou caixa de supermercado. Grande parte ganha o salário mínimo, e boca calada.

E depois não hei-de ficar fodido?

10 novembro 2007

Lembrança

Ia eu sossegado a falar com os anjinhos
Quando, vindo do nada, um diabinho
Começou a trautear a musica
Que eu, de pequeno, venho cantando
De vez em quando
Quando o olhar se perde no sol
Que adormece
Na linha do horizonte do amanhã

" Boiam leves levemente
Meus pensamentos de mágoa,
Como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.

Boiam como folhas mortas
à tona de águas paradas
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas Abandonadas

Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se paira, se flui;
Não sei se existe ou se dói"


Poema de Fernando Pessoa

defesa

Nunca ouvis-te a velhota que mora na casa que está a cair de velha e que mora na tua rua a dizer:
- Tudo o que é grande minga e tudo o que é pequeno cresce...e que a fotagrafia é uma grande mentira, tão grande, que os dentes de quem acredita nessas imagens de maldizer, um dia vão estilhaçar em bocadinhos de calcário que se perderão no deserto da vida futil que impregna a solidão dos solitários perdidos numa avenida dos aliados fechados numa fachada recuperada.
Ganha juízo! Brinca, se ainda sabes, não com a pombinha mas com a outra da qual eu não me lembro o nome.
Só sei que tem duas redondas e uma comprida e entre as pernas está metida.

ABONADOS

E ainda dizem que os pretos são bem "abonados".
Não me parece....

05 novembro 2007

Música

Penso que já ouviram vezes suficientes o "encosta-te a mim".
Aguardem por mais músicas.

04 novembro 2007

Perdoei

Perdoei o Deus que chicoteou
As costas
Do jovem perdido
Na cama escondido
Dos lençóis de branco linho
Entrelaçados num sinal
Confuso
De paz?

Castigado
Por ter surripiado
Com muito esforço
A bicicleta do sótão
E ter sido apanhado
Sem carta e livrete
Por um polícia
Do Campo Lindo
Que brincava com as folhas caídas
Amarelas
Ácidas
E
Doces
De um desconhecido romance
Perdido numa biblioteca qualquer.

02 novembro 2007

Inicio

Uma lágrima desceu lentamente pelo rosto, do pai ternurento, quando se despediu com ternura da filha que de felicidade e com um sorriso tipico de aventura se aventurou a entrar no boeing 707 rumo ao desconhecido Rio de Janeiro.