27 outubro 2007

Pedra

Uma lágrima rola no meu rosto
Porque não vi o sol que desaparece
Se esconde
E luta
Nas águas das algas
Esverdeadas
Azuis
Perdidas num pensar
De um mar
Que não conheço
Nem quero olhar
E tão pouco chorar
É uma rolling ...?

21 outubro 2007

Vencer?

Finalmente consegui vencer a vontade de vencer, seja no que for, a todo o custo.
Hoje dou-me por feliz em viver o dia normal de trabalho e de chegar vivo e sem mazelas ao doce lar.
Parece mentira mas é verdade ou mentira?
Um banho quente de sais minerais, uma toalha turca e uns chinelos feitos à medida e, a seguir, um jantar de arroba.Para terminar um café, um digestivo e um charuto cubano...que faz pensar no dia que há-de, ou não, chegar.
Ainda nuns destes dias fui desafiado, por um amigo, para um triatlo.
Timidamente, mas cordial, disse que não.
Tinha que visitar uma tia doente e dar de comer aos pombos que se perdiam nos ares turvos da refinaria de Leça de Palmeira.
Mentia com todos os dentes que tinha.
Sabia perfeitamente que o jovem em causa não tinha vida para o meu traquejo de longos anos.
Mais, sabia que toda a gente me podia derrotar.
Mais ainda, sabia que toda a gente podia, um dia vir a perder
A máscara da glória e a honra traduzida nuns miseros euros
Pronto, a verdade seja dita, não o queria deixar com as calças na mão.
Mas o jovem insistiu
E eu, que nunca fui de fugir,aceitei o desafio como se fosse a única coisa possivel de acontecer numa noite esquisita
De um crescer de luar
Que crescia, crescia sem parar
Num arfar de conquista
Num espirito de guerreiro
Iniciei a tripla conquista
Fui o mais rápido na volta ao bilhar grande
o que comeu a maior sande
o que não matou a sede do adversário
Mas perdi no dar
Perdi no impedir o jovem de sonhar
E, sem glória
Fugi amargurado para o convento dos abades
Que ficava numa aldeia de Chaves
Que coitada de saudade
Chorava porque não tinha idade
Para desaparecer
Numa manhã de nevoeiro

14 outubro 2007

Farrancho-Bicicleta

Todos os domingos eu e a minha mãe ia-mos jantar a casa dos meus tios que moravam na Rua Silva Porto. Era um ritual, uma obrigação que eu especialmente gostava de cumprir porque naquela altura gostava de passear na rua de mãos dadas com a minha saudosa mãe.Tinha 10 anos e era de certo modo um miudo com bichos carpinteiros. Não parava de perguntar à minha mãe porque não podia atravessar a rua de S. Dinis e fazia perrice quando não me comprava um saco de plástico cheio de miniaturas de plástico representativas dos carros da época.
Acima de tudo não entendia a dificuldade de comprar um objecto tão baratinho, uma vez que no seu interior moravam seis objectinhos de várias cores que deliciavam a minha imaginação e faziam despertar o roncar dos motores de carros adormecidos.
Franzino e a tremer quando, eu e a minha mãe, passavamos pela loja dos plásticos que comercializava esse tipo de artigos, dizia:
- Mãe compra, dá-me, estes carrinhos de plástico. São tão bonitos. Ouves o motor? Vês a cambota a girar e as rodas a rodar?
A minha mãe aflita argumentava que não podia comprar, que o dinheiro era pouco, que não podia esbanjar.
Mas eu não entendia e começava a chorar. As lágrimas eram tantas que a minha mãe sem saber o que fazer para me consolar, sem palavras me elevava no ar, me aconchegava no seu peito, e me dizia baixinho:
- Seu tonto. Porquê chorar tanto por uns carrinhos de plástico quando tu tens, em casa dos teus tios, um farrancho para divagar?
............Continua...................

O primeiro mergulho

Bom dia!
Portugueses em luxemburgo e Bruxelas!
Bom dia!
Portugueses do Porto e arredores ( Braga e Bragança )
Ontem foi o dia em que mergulhei nas águas tórridas do Marreco
Com um fato preto à prova do sentimento
E comprovei que no leito amigo
Os robalos brincavam com os anzóis
Que baloiçavam ao sabor da corrente
E cruzavam os raios solares diluidos
Que persistententemente penetravam nas algas cansadas
Que depois de tanto castigadas
Fustigadas e maltratadas
Adormeciam espraiadas na orla costeira que Deus nos deu.

09 outubro 2007

coração

Na escuridão da solidão
Ouço o pássaro amigão
Que trauteia a canção
Saída de um grande coração
Todo ele azul
Todo ele reluzente
Que não mente
Que não vem da vida fácil
Do calor sentido do sul
Nem de um sentimento vil
Mas que existe
E vive
Aonde?
Não sei

LIBERDADE, POR ONDE ANDAS ???

Polícias à paisana ousaram entrar na sede do Sindicato dos Professores da Região Centro para dar conselhos aos sindicalistas, que preparavam a devida recepção ao nosso "primeiro".
"Deviam ter cuidado com a linguagem" - disseram.
Verificaram cartazes. Conferiram slogans.
Intimidaram.

Concerteza que pretendiam uma recepção com milhares de meninos e meninas de bandeirinhas a acenar. E senhoras do Movimento Nacional Feminino a distribuir flores. E o comandande da Guarda, mais o presidente da Câmara, mais o gerente da CGD, mais uma dúzia de cinzentões contratados a recebê-lo.

Mas não. As pessoas têm direito à manifestação, à diferença de opinião e à indignação. E a chamar mentirosos aos que mentem. E a apelidar de arrogantes aos que o são. E têm o direito e a obrigação de se revoltarem.

A Democracia, neste Portugal, teima em fazer o pino e ficar de pernas para o ar.

Cuidado, Liberdade, há gente por aí a atentar contra ti!

03 outubro 2007

MAIS MUSICAS

Já vos tinha falado de um novo grupo musical que descobri.
Desta feita, ele aparece com excerto de um cover de Jorge Palma, nada mais nada menos que o seu mais recente exito, do álbum Voos Nocturnos - Encosta-te a mim.
Se desejarem ouvir a versão integral, basta inserirem nos "comments" essa intenção.
Apurem os ouvidos:
(música já retirada)