Da falta de dinheiro
Da ausência do presente
Do olhar gasto na chama
Que o tempo gasta sem querer
Quando me lembrei do seguinte:
De morrer no fogo
Não só eu
Porque era considerado inglório
Mas comigo os milhares que têm consciência que só vegetam na lama
De onde não podem fugir
Nem sequer dar pequenos saltinhos
Peixinhos que nada fazem
senão abrir a boquinha
Sem sabor da saladinha
E que de barbatana dada
Brincam com o diabo
Fugindo das rochas pontiagudas
Que do leito enganado
espantam os mais audazes
Presos na infertilidade e em quatro vidros miseráveis
Eu penso num dia de glória
Onde milhares de pessoas
Sem necessidade de convites
Vão querer arder no adro de uma aldeia a escolher
E gritar bem alto
Eu tenho medo
Mas quero partir.
Quero arder nesta vida
E começo-me a rir dos homens e mulheres
Bombas
Porque é fácil desistir
Sim é fácil desistir
É fácil matar
Mas organizar um fogueira global...
De livre entrada
Pagava para ver...
Sem deuses e religiões...


