20 agosto 2007

Vila das Aves

Já é sem tempo que esta grandiosa Vila de Entre-Ambos-os-Aves...e o António que o diga...merece um pouco de espaço e porque não, da vossa atenção, para, por uma vez por todas conquistar a fidelidade e o carinho que já teve outrora. Reparo cada vez mais que a ousadia e aventura que norteava determinados "povos"da Invicta cidade, deixou pura e simplesmente de existir. Bah...bah...e bah. Parecem passarinhas engaioladas que nem sabem o que fazer fora do pré-histórico habitat. Agarrados a cafés??ofirianos como se dali surgisse a luz e depois-meu Deus- Marreco. é por estas e por outras que o país não vai para a frente. Que toléria!! Bem...não quero atacar "vacas sagradas"mas uma vez que estou a participar pela 1ª vez neste espaço, desejo convidar todos os meus conhecidos a visitar a agradável Vila das Aves. Sim, não será fácil aqui chegar, mas mesmo assim as estradas são boas, e este humilde amigo disponibolizará algum do seu tempo para vos mostrar o requinte de se sentir bem neste espaço entre o Rio Vizela e o Rio Ave. Venham!

19 agosto 2007

Quando acreditei na meia laranja
Parti-a ao meio
Metade ficou comigo
A outra lancei ao vento
Ao mar
À terra
Ao espaço
Ao infinito
Mas ela regressou
Sempre
À minha pequena mão
Não queria partir
Não queria encontrar o outro olhar
Do outro lado mar
Nunca quis partir
Apanhar o navio
O avião
A minhoca
O foguetão
A minha meia laranja
Sempre teve medo do arcanjo
Que lhe queria dar mão
Para voar em direcção ao sol
E perder-se no sofrimento
De um gemido
Sentido numa corda do violão
De um jovem que toca
Na berma da estrada
Perdido no nada
Resumia e lia
Os destinos dos grandes clubes
Quando num sábado à noite
Vejo sair dos cafés
Perdidos e gastos pelo tempo
Os doutores nos seus fatos pretos
De cabelos desalinhados
Desatinados
A gritarem:

- O mundo vai acabar ... o mundo vai acabar...
O Sporting e o Porto ganharam
E o Benfica acabou por empatar
.......

Sem perceber a angústia latente
E o canto triste da lua
Treino uns passos tristes na alameda de Serafim Lopes
Ligo o pequeno rádio que anda sempre comigo
E por sorte
Começo a ouvir ... encosta-te a mim ...
Maravilha das maravilhas
Foi como se tivesse feito 100 flexões
Beijasse 1000 raparigas
Nadasse 2 Km
Em água com gosto a sal
Adormecesse num ombro de uma mulata
E acordá-se a cantar:
- Passarinho aonde estás?
Nos bosques procurei
Setas evitei
Mas não encontrei...

16 agosto 2007

É de noite
Barro um pão
Aquecido com manteiga
Acrescento-lhe um pedacinho de fiambre
E sinto a delicia
O sabor, aroma e o odor
Que penetram na casa velha e fedorenta
Que caída de velha quer renascer.
De repente todos querem
Provar o gosto (des)conhecido e misterioso
Vindo do oriente conhecido
Sorrindo
Provo o ultimo gole
De um fluido único
Inesquecivel
Vindo de S. Miguel
E fumo o ultimo cigarro
Retirado do involucro que mata
Regresso à inocência das coisas
Das vindimas
Do sujar as pernas com o sangue vermelho
Do martelar a pia escorreita
Do dormir sem lavar os dentes
Sujos de ervilhas
E acordar com um sorriso na cara
E dores quanto bastam
Nas virilhas.

14 agosto 2007

CAT SITTER



Para o que me havia de dar...
Neste momento, vejo-me na condição de CAT SITTER.
De uma Princesa. Sim, é assim que se chama a danada da gata.
Eu, que pugnava por ter a minha casa arranjadinha, já tenho cortinados com fiapos pendentes. Os sofás já começam a ter vestígios das unhas malditas.
A casa de banho, com areia a salpicar por todo o lado.
Os tapetes estão revirados.
Quando chego a casa, pareço um assaltante: entro de mansinho, ouvidos atentos, olhos revirados um para cada canto, porque a bicha teima em atacar-me traiçoeiramente, trepando-me a espinhela e cravando-me as unhacas.
Volteia, dispara para todo o sítio, ataca as sombras. Já dei com ela a mirar com olhar assassino a Vanda e o Asdrúbal.
Permiti, ingénuamente, que dormisse no meu quarto.
Asneira da grossa. Cada vez que me viro, ataca-me um dedo do pé, ou o joelho, ou brinca com a minha barriga, cravando-me as malditas garras. Passeia-se, até aqui impunemente, por cima de mim. Pudera, enquanto eu trabalho, a sostra dorme.
À noite, quero descansar, ela quer gozo.
De dia, faz-me perseguição serrada, torneando as minhas pernas e soltando mios ternurentos. Desloco-me como autómato, com o cuidado necessário para não lhe esborrachar as entranhas.
A Lurdes inventou o brinquedo mágico - uma bola de papel. Corre, escorrega, entra em derrapagem contra móveis e paredes. Voa atrás dela por toda a casa.
Limpo cócós e chichis.
Tenho que me levantar mais cedo, para dar comida e água fresca.
Está a ser assim a minha vida.
Mas compensa.
É linda. Terna. Bricalhona.