27 abril 2005

Vou continuando a divulgar poesia que escrevi nos meus tempos de jovenzinho.
É mais uma poema de 1973. Começo a perceber que guerra, armas, espingardas, já me preocupavam, nesses tempos.

Transcrição fiel do manuscrito da época.

Dedico-o aqueles que têm a pachorra de, diariamente, mesmo confiantes que nada acontece no site SANTINVESTE, espreitam este bocadinho, onde, no meu silêncio, deixo escorrer alguma coisa de mim.



VEM
(quando o vento for suficiente para levantar dois corpos, leiam este poema)

Vem.
Anda comigo gritar a poesia
e voar entre as nuvens com ajuda do vento.
Vamos cavalgar os espectros de calma fria
e passear o pensamento.
Vem
Olhar os violinos, o silêncio, as espingardas,
e beijar a lua com lábios de mel.
Vamos abraçar o sol e as crianças de mãos dadas
e provar a morte, a guerra, o fel.
Vem.
E traz um saco com o teu sorriso
para distribuir às mãos cheias pelos soldados.
Vamos restituir às entranhas do juízo
a alma entornada dos poetas desolados.
Vem.
Aproveita a boleia das trevas escondidas
e vem ter comigo à hora do sonho.
Vem com o teu corpo e as raízes perdidas
abraçar-te a mim num prazer medonho.

1973

Comprei uma mota!!
Ou melhor, uma motoreta. Scooter. Transporte jovem, como eu.
Contrariando todos os conselhos, dos pais, familiares e amigos, já está!!
Fui buscá-la hoje. Curti imenso, apesar de ter ficado com as mãos todas emporcalhadas de lhe atestar o depósito. Com três litradas. Espero que ela venha a consumir menos combustível do que eu.
É mesmo linda. Fiquei com a sensação de que toda a gente olhava para mim, cabelos ao vento, desfrutando o prazer da ventania.
Mentira. Estava a reinar convosco. Nem é linda, nem eu tenho cabelos para ventanar. Além disso usava um penico comprado na loja dos chineses, que não deixava ao meu curto cabelo a mínima hipótese de se deslocar.
Mas é fixe. Ainda não caí, apesar de ter andado mais de 10 Km.
E se lhe tomar o gosto, ver-me-ão, dentro em pouco, a dominar uma 250 cc todo-terreno.
É só esperar.

26 abril 2005


O novo Papa

20 abril 2005

POLUIÇÃO

Finalmente, têm Papa. As pessoas que o desejavam.
Pela minha parte, também estou contente, porque aquela imagem poluitiva de um escape de salamandra instalada na Capela Sistina, que me incomodava durante largos minutos, fixa, em várias fases do dia, em tudo que era canal radio e televisivo, calou-se.
Era uma fuligem negra, tal como o "modus operandi" da Igreja Católica, amordaçante, antidemocrático, prepotente, machista e pecador, no sentido em que emperra as necessidades das pessoas, bloqueando os pensamentos, retroagindo o progresso, condenando as prevenções sexuais recomendadas, lavando corporativamente os desvios de boa parte dos seus seguidores que, pregando X, faziam Y. Impunemente, fabricando sobrinhas e afilhadas.
Lembro-me das críticas das sociedades ocidentais, ao modo como as mulheres muçulmanas são tratadas, sem direito a voto, sem direito a instrução, com uso obrigatório de véu, sem direito ao trabalho, à voz, aos cargos sacerdotais. Compará-las com as católicas em geral e as "freiras", em particular, só pode ser perversa imaginação minha.
Mas, finalmente, como por artes do Green Peace, a fumaça ficou branca. Igualmente poluente, mas mais "soft". Biliões tinham Papa.
Francamente não sei se os sacerdotes que laboram em África, na Ásia, na América do Sul, e noutros locais remotos, dedicando-se a causas nobres, de excluídos, esfomeados, em campos de guerra, em campos de morte, rejubilaram com a eleição do seu "chefe". Estou convicto que não. Sem televisões nem rádio, se a morte chega cedo, as notícias tardam.
Pena não ter sido nomeado o nosso portuga candidato. O Policarpo. Depois da Expo e do Euro, já precisamos de algo que nos encha o peito.
E, além do mais, Policarpo significa "o que tem, ou produz muitos frutos".
Seria bom presságio.

2005/04/19